Cientistas brasileiros criam startups inovadoras em saúde – Nassar

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São Paulo — As empresas farmacêuticas gastam, todos os anos, em torno de 100 bilhões de dólares em pesquisas. Algumas dedicam-se a encontrar remédios para doenças incuráveis, como o Alzheimer, outras tentam descobrir tratamentos mais eficazes para o câncer ou melhorar a vida de pacientes com doenças crônicas, como o diabetes. Naturalmente, as grandes empresas do setor não conseguem fazer tudo — e startups com custos menores e apostas mais certeiras ganharam espaço na última década.

No Brasil, país que não é conhecido exatamente pelo histórico de pesquisas científicas de ponta, as inovações na área de saúde concentraram-se nos medicamentos genéricos. Agora, um grupo de startups está tentando trazer um pouco mais de ciência a esse mercado. De 2015 para cá, surgiram pequenas empresas especializadas em fazer análises genéticas, coletar e armazenar células-tronco e até desenvolver pele humana em laboratório. Suas conclusões vêm sendo usadas por pacientes e farmacêuticas que buscam terapias mais eficientes para tratar desde autismo até doenças cardíacas e neurológicas.

Uma das maiores startups brasileiras nessa área é a R-Crio. Fundada há dois anos pelo dentista capixaba José Ricardo Muniz Ferreira, de 48 anos, a empresa é especializada em extrair e armazenar células-tronco presentes nos dentes de leite. No mundo todo, essas células estão começando a ser usadas para tratar doenças neurológicas e degenerativas, mas os resultados ainda são inconclusivos. A expectativa é que as pesquisas avancem e as células-tronco permitam tratar desde doenças graves, como o Alzheimer, até fraturas e queimaduras.

A técnica mais comum de extração de células-tronco é a que usa o material do cordão umbilical, mas Ferreira teve contato com o procedimento dos dentes de leite durante o doutorado que fez em 2012 no Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro. Como não havia empresas especializadas nisso no Brasil, ele decidiu buscar investidores dispostos a financiar a criação de uma startup nessa área. Captou 25 milhões de reais e decidiu abandonar o consultório que manteve por 22 anos para montar a R-Crio.

Os clientes pagam cerca de 3.000 reais pelo procedimento mais 735 reais anuais pelo armazenamento de células-tronco. “A maioria dos nossos clientes é das classes A e B, mas essa tecnologia está ficando mais barata e deve tornar o serviço mais acessível nos próximos cinco anos”, diz Ferreira, que, em 2016, participou do Mentoria PME, um programa de desenvolvimento de empreendedores organizado pela revista EXAME. O mentor da empresa foi Marcos Bosi Ferraz, presidente do conselho de administração do Fleury. Segundo Ferreira, a R-Crio deve faturar 6 milhões de reais neste ano e pretende captar mais 30 milhões de reais até 2018 para crescer dentro e fora do país.

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